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quarta-feira, 29 de julho de 2026

Futuro do Jornalismo? A confiança do público como nova moeda de poder e influência


Um estudo analítico sobre a transferência do poder inerente ao serviço informativo

Por Neusa e Silva

Leia. Depois aplique esta análise ao seu contexto. Envie-me a sua opinião para info@neusaesilvajornalista.com respondo pessoalmente.

Introdução ao fenómeno em análise

Na edição anterior, refletimos sobre o declínio progressivo da reportagem de terreno e a sua substituição por analistas em estúdio. O presente artigo propõe um deslocamento do foco analítico para além da diminuição da cobertura local e internacional. Observa-se, agora, uma reconfiguração do próprio ecossistema informativo a partir de agentes externos ao campo mediático tradicional.

Neste artigo, levanto o seguinte questionamento para análise coletiva: que alterações na produção e distribuição de narrativas de interesse público se observam quando a capacidade de definição da agenda é transferida dos media tradicionais para podcasters independentes? E quais são as consequências quando esses podcasters são adquiridos por grupos económicos cuja atividade principal não é a informação, mas sim o domínio da narrativa setorial?

Transferência da influência: um padrão em ascensão

O podcast apresenta características estruturais que o distinguem da televisão e da rádio tradicionais. Este formato não está sujeito a tempos de antena regulados, nem, na maioria dos ordenamentos jurídicos, a obrigações de pluralidade ou de contraditório, uma realidade que pode estar prestes a mudar. Também não existe, em regra, a obrigatoriedade de conceder o direito de resposta, como sucede nos media tradicionais, nem uma supervisão sistemática por parte de entidades reguladoras, embora esse cenário esteja em evolução.

Aliás, é plausível que a regulação da atividade de podcasts de especialidade seja iminente, constituindo uma extensão natural do trabalho das entidades reguladoras da Comunicação Social. Trata-se de uma evolução previsível, sobretudo quando se observa a aprovação, pela Assembleia Nacional Francesa, de uma proposta de lei que obriga as grandes plataformas digitais a remunerar os meios de comunicação social pela utilização dos seus conteúdos. A iniciativa visa corrigir falhas persistentes na aplicação da diretiva europeia sobre direitos de autor de 2019 e reforçar a sustentabilidade económica do setor da imprensa.

Em França, o diploma, aprovado a 26 de março, estabelece mecanismos destinados a assegurar negociações mais equilibradas entre plataformas digitais e empresas de media. Entre as principais medidas, destaca-se a obrigatoriedade de as empresas tecnológicas fornecerem dados detalhados sobre a utilização de conteúdos jornalísticos, permitindo uma avaliação mais rigorosa do valor devido.

Em França, o regulador passa a dispor de poderes reforçados de supervisão e sanção. O novo enquadramento atribui competências acrescidas à Autoridade de Regulação da Comunicação Audiovisual (Arcom), que assume funções de arbitragem e supervisão. O regulador poderá aplicar sanções às plataformas que não cumpram as obrigações legais, incluindo multas até 1% da faturação global.

Em que momento ocorre a transferência do poder da narrativa?

Identificam-se entretanto dois factores que contribuem para a influência crescente dos podcasts de nicho. Primeiro, a intimidade do formato estabelece uma relação de proximidade com o ouvinte, que por sua vez se distingue daquela verificada nos media tradicionais. Em segundo lugar vem a lealdade construída por parte da audiência para com o apresentador. Quando um ouvinte que acompanha um podcast semanalmente deposita nos apresentadores níveis elevados de confiança, a sua lealdade supera os níveis de confiança atribuídos a instituições de mídia tradicionais.

Quando um grupo económico adquire este podcast, observa-se um fenómeno que merece uma atenção adicional, uma vez que a audiência na sua maioria, permanece estável. A confiança pré-existente transfere-se juntamente com o activo adquirido. Depois de estabelecida a confiança, o público pode não dispor de elementos para distinguir o período anterior, e o posterior a aquisição.

Não considero que isto tenha acontecido, mas trago como exemplo a recente notícia sobre a OpenAI investir em mídia, e comprar um podcast de tecnologia. A criadora do ChatGPT diz que pensa no futuro da comunicação, e que o contrato prevê que TBPN mantenha independência editorial.

Fonte: Por Bloomberg - Nova York

A criadora do ChatGPT já comprou outras empresas antes, mas sempre com o foco em inteligência artificial. A diretora executiva de Aplicações da startup, Fidji Simo, admitiu a natureza incomum da aquisição. “À medida que pensava sobre como, no futuro, nós da OpenAI vamos nos comunicar, uma coisa ficou clara: a estratégia da comunicação padrão não se aplica a nós”, afirmou Simo em comunicado. “Não somos uma empresa convencional.”

Ao explicar os motivos da aquisição, Simo disse que a OpenAI tem a responsabilidade de encorajar debates sobre as mudanças que a inteligência artificial está a provocar. Ela citou ainda “os excelentes instintos de comunicação e marketing” da TBPN e como a empresa ajudou diversas marcas a se promoverem online.

Fim de citação

Em todo mundo, a tendência tende a aumentar para que empresas do sector tecnológico cujo modelo de negócio assenta no desenvolvimento de sistemas de inteligência artificial, adquira podcasts especializados na cobertura de inovação e tecnologia.

Existe já uma tendência para aquisições semelhantes, onde determinada marca adquire o poder de fala sobre o seu próprio nicho de actuação.

Potenciais variáveis neste género de operações, que aliás passarão a ser cada vez maiores nas regiões anglófonas e da francónia:

O podcast tenderá a ter acesso antecipado a produtos e informações que a colocam em vantagem competitiva.
A frequência de entrevistas com a liderança do grupo adquirente tende a aumentar
Ou seja, quem tem o espaço de fala no nicho, define a narrativa sobre o setor.



Narrativa pública que acompanha normalmente estas operações em várias partes do mundo: a aquisição garante a sustentabilidade financeira do podcast e o acesso privilegiado a fontes de primeira linha.

Hipótese alternativa a testar: o podcast passa a operar em uma zona de sobreposição entre informação independente e comunicação institucional. A cobertura de temas como sociais, riscos de segurança, impactos laborais ou captura regulatório pode apresentar modificações, ainda que sutis. A cobertura de iniciativas legislativas tende a reflectir, de forma mais ou menos consistente, as posições da empresa adquirente como "equilibradas" ou "centrais".

Não se infere intencionalidade ou má fé. Observa-se, sim, uma alteração na estrutura de incentivos. A literatura sobre economia da comunicação sugere que alterações na estrutura de incentivos se correlacionam com modificações no conteúdo produzido.

Correlação directa: O jornalismo de análise como percursora do Podcast

Observa-se uma relação de continuidade entre o formato "análise em estúdio" e o formato "podcast". Ambos partilham características estruturais que os distinguem da reportagem de terreno



A análise em estúdio e o podcast ocupam, do ponto de vista da economia de recursos para produção de mídia, a mesma posição estrutural: são formatos de baixo custo, alta escalabilidade e o seu sucesso depende da credibilidade do apresentador e muito raramente da verificação presencial.

Portanto a transferência do espaço de fala e definição de tendências acontece em três momentos:

Primeiro momento: A migração de grandes nomes do jornalismo e analistas para o formato podcast.

Jornalistas experientes, incluindo antigos correspondentes internacionais e analistas de estúdio, deixaram as redacções tradicionais e criaram os seus próprios podcasts. Este movimento transfere o capital de reputação e a confiança da audiência (ativos mais raros nos dias atuais) do meio institucional para a produção independente.

No segundo momento segue-se a aquisição destes podcasts por grupos económicos (2020-2026).

Os podcasts que acumulam audiência fiel durante a primeira fase tornam-se ativos atractivos para aquisição. Os adquirentes incluem plataformas tecnológicas (Spotify, Amazon, OpenAI), grupos mediáticos estabelecidos (Vox Media, iHeartMedia) e fundos de investimento (The Chernin Group). O padrão é o seguinte:

(a) a reportagem de terreno declina;

(b) a análise em estúdio e os podcasts preenchem o vazio;

(c) os podcasts com audiência significativa são adquiridos.

Correlação indirecta: A erosão da distinção entre informação e opinião

É visível já uma correlação indirecta entre os dois fenómenos, mediada por uma terceira variável: a erosão da distinção por parte do consumidor de notícias entre informação factual e opinião comentada.

Quando a reportagem de terreno declina, o público tem menos acesso a factos verificados no local.
Quando o público tem menos acesso a factos verificados, a procura por "interpretação" e "contexto" aumenta, mesmo que esse contexto seja fornecido por analistas que também não estão no terreno.
A análise em estúdio e os podcasts respondem a esta procura, mas o fazem com base em fontes secundárias (agências de notícias, relatórios, testemunhos remotos e em primeira instância, por parte da mídia tradicional) ou em opinião pessoal.
Com o tempo, o público pode perder a capacidade de distinguir entre um facto verificado e uma opinião fundamentada, uma vez que ambos são apresentados no mesmo formato (um apresentador num estúdio ou num microfone doméstico).



Verifica-se assim que a aquisição de podcasts por parte de grupos económicos é mais provável de acontecer em ecossistemas e nichos onde a distinção entre informação e opinião já se encontra meio difusa. Nestes ecossistemas, a audiência transfere a sua lealdade para os criadores individuais, devido a sua reputação,sem exigir a verificação factual que caracteriza o jornalismo de terreno.

Imagem gerada com recurso a IA

O espaço lusófono (Portugal, Brasil, PALOP) apresenta uma realidade radicalmente diferente. A base de dados pesquisada não identificou qualquer caso documentado de aquisição de um podcast por um grupo económico na Lusofonia. Esta ausência de dados pode ser interpretada de três formas não mutuamente exclusivas.

Primeira interpretação: menor maturidade do mercado de aquisições.

Segunda interpretação: menor escrutínio mediático sobre operações locais.

Terceira interpretação: vulnerabilidade estrutural elevada.

A ausência de dados documentados não significa ausência de risco. Pelo contrário, a falta de escrutínio pode indicar que aquisições estão a ocorrer sem que o público ou os reguladores tenham conhecimento.

O espaço lusófono “apresentava” lacunas regulatórias significativas, como ausência de definição jurídica do podcast, inexistência de obrigações de registo ou declaração de propriedade, e entidades reguladoras sem competência legal para supervisionar este domínio. Apresentava porque precisamente agora

Tendências Futuras para a Produção Independente

Com base nos padrões observados nos mundos anglófono e francófono, é possível identificar tendências que provavelmente se estenderão à Lusofonia num futuro próximo.

Primeira tendência: consolidação liderada por grupos não-mediáticos.

Empresas cujo negócio principal não é a comunicação a adquirirem podcasts para controlar a narrativa sobre os seus sectores. Este movimento poderá replicar-se noutros sectores (energia, finanças, saúde, extractivo) e em outras geografias, incluindo a Lusofonia.

Segunda tendência: especialização e nicho como factor de valor.

Os dados indicam que 80% dos 15 melhores podcasts para anunciantes em Março de 2026 eram independentes . A independência e a especificidade de nicho são activos valiosos num ecossistema dominado por conteúdo generalista. Os criadores independentes que mantêm uma relação de confiança com uma audiência fidelizada tornam-se alvos de aquisição atractivos.

Terceira tendência: diversificação das fontes de receita.

A publicidade isoladamente já não sustenta o modelo de negócio dos podcasts de médio porte. Observa-se uma tendência para a diversificação, tais como serviços por assinaturas, merchandising, eventos ao vivo, licenciamento de propriedade intelectual e integrações de marca profundas . Os criadores que dependem exclusivamente de receitas publicitárias tornam-se mais vulneráveis à pressão financeira e, consequentemente, mais propensos a aceitar ofertas de aquisição.

Implicações

A análise das tendências nos mundos anglófono e francófono sugere que a Lusofonia enfrenta um momento de decisão. Três cenários são possíveis.

Cenário 1: adopção passiva do modelo anglófono (mais provável).

Cenário 2: desenvolvimento de um ecossistema lusófono independente (menos provável).

Cenário 3: intervenção regulatória (já está a acontecer...): https://www.compete2030.gov.pt/comunicacao/comercio-eletronico-sob-novas-regras-com-o-regulamento-dos-servicos-digitais/

A consolidação, a aquisição por parte de grupos económicos e a integração multiplataforma são tendências estruturais com motivações de peso, não são merasmodas passageiras. A questão não é se estas tendências chegarão à Lusofonia, mas sim quando e sob que condições.

Serviços disponíveis:

Produção de conteúdos, análises e reportagens para múltiplas plataformas 👉 Peça uma proposta sem compromisso

Consultoria para órgãos de comunicação 👉 Fale comigo para explorarmos como posso ajudá-lo(a)

Workshop e Palestras 👉 Agenda disponível a partir de 10 de Maio. Reserve a sua data ou sugira um tema

📧 info@neusaesilvajornalista.com

Who Tells the World to the World? And Why the Answer (Re)Defines Power in the 21st Century

 


By Neusa e Silva 

By the end of this article, you will have seen proof that narrative is not opinion; it is editorial choice with geopolitical consequence. Share your perspective on this theme… leave it in the comments.

Most governments and businesses continue to measure power through traditional indicators: capital, resources, technology, market share or institutional capacity. But there exists a strategic asset that is frequently underestimated: the ability to influence how others perceive reality itself.

Today, countries, companies, universities, foundations, digital platforms and media groups compete not only for resources or markets. They compete for the power to shape internal and external narratives. And whoever influences the narrative influences reputations, investment decisions, political choices, consumer behaviour and even electoral processes.
The Problem?

Most organisations invest heavily in operations, but very little in the architecture of narrative. Meanwhile, global actors are building complete ecosystems of influence: they produce content in multiple languages; they hire local journalists; they develop regional networks; they train specialists; they fund research; they create their own distribution platforms.

But what is the objective? Simply to communicate? Or to become the reference point through which others interpret global reality? Whoever defines the framing defines a large part of the internal and external debate.
The Risk?

When a country or an organisation does not actively participate in the construction of its own narrative, others will do that work on its behalf, and will do it very well, according to their own interests.

The consequences are concrete. For governments: reduced capacity to attract investment; fragility of international reputation; dependence on externally produced narratives; diminished diplomatic influence. For businesses: reputational vulnerability; loss of stakeholder trust; difficulty in expanding into new markets; greater exposure to communication crises. For democracies: reduction of informational pluralism; greater concentration of narrative influence; electoral environments more vulnerable to informational asymmetries.
What Is to Be Done?

There are four strategic priorities, in my view.

First, invest in proprietary narrative production capacity. It is not enough to react. It is necessary to produce knowledge, content and analysis with the capacity for international circulation.

Second, develop multilingual communication. The most influential actors in the world do not speak only to themselves. They speak to others in the language of others. Global influence requires local relevance.

Third, diversify decision-making centres. Diversity is not merely representation. It is strategic intelligence. The more perspectives that participate in decision-making, the greater the capacity to understand markets, societies and risks.

Fourth, increase transparency. Trust has become an economic and political asset. Organisations that clearly explain how they are financed, how they produce and how they distribute information tend to generate greater credibility and, consequently, to gain the public's trust and endorsement to shape their perceptions.
The Point of Intersection (Where Advisers and Journalists Meet)

I believe that the future of strategic communication does not lie in the war between advisers and journalists. It lies in a new contract: the adviser facilitates access to the ground; the journalist validates the integrity of that access; and both recognise that the credibility of the narrative depends on its physical and human anchoring.

Advisers seek control; journalists seek truth. The point of intersection is called contextual credibility. And contextual credibility is born in the same place where the map I defend is born: on the ground. Not in offices, not in distant capitals, but on the ground where events actually unfold. The rest is merely noise.
The Strategic Question of the 21st Century

For a long time, it was believed that whoever controlled resources controlled power. Today we know that this is insufficient. In the 21st century, power also means the capacity to construct meaning. The most influential countries and organisations are not merely those that possess resources. They are those that are able to explain those resources to the world, generate trust and shape perceptions.

That is why the question is no longer simply who possesses capital, technology or territory. The question is: who has the capacity to tell their own story before others tell it on their behalf?
Who Tells the Story Determines the Meaning of the Story

A particularly revealing example can be observed in the international coverage of Pope Francis's visit to the Democratic Republic of the Congo, which took place between January and February 2023.

Although the facts were the same, the same religious leader, the same agenda and the same events, three media outlets produced substantially different narratives. For the purposes of analysis, let us designate them as: Outlet A – European, Portuguese-language; Outlet B, Latin American, Portuguese-language; Outlet C, European, French-language.

What distinguishes these coverages is not merely editorial or stylistic differences. What changes is the framing. Each outlet selected distinct angles, attributed relevance to different actors and constructed its own narrative priorities. While one coverage privileged humanitarian and institutional challenges, another emphasised the pastoral and symbolic dimension of the visit. A third highlighted historical, political and international responsibility questions. The event was the same. The interpretation was not. This example illustrates a reality frequently overlooked in debates about global communication.
The Hook: What Each One Chose as a Headline

The choice of title is the first and most revealing act of narrative curation. Outlet A opens with a direct and powerful quotation from the Pope: "Hands off Africa!" The focus is immediate: the denunciation of "economic colonialism". Africa is the subject of the sentence, and the Pope is the spokesperson who amplifies that voice.

Outlet B opts for a descriptive and contextual headline: "Pope Francis arrives in the Democratic Republic of the Congo amid conflict in the east of the country". Conflict and instability form the backdrop that frames the visit. The emphasis is on the climate of violence that the Pope encounters, and not necessarily on the message he brings.

Outlet C adopts a conciliatory and institutional tone: "Le Pape François en RDC pour délivrer 'un message de paix'" [Pope Francis in the DRC to deliver 'a message of peace']. The narrative centres on the papal figure as an agent of reconciliation, in a register closer to diplomatic or religious chronicle.

Interpretation: while Outlet A places anti-colonial denunciation at the heart of the news, Outlet B frames the visit under the sign of endemic violence, and Outlet C under the sign of a peace-building mission. Three different entry points to the same reality.
Final Reflection

The discussion presented in this article is not, at its core, about media. It is about power. For decades, it was believed that power resided primarily in resources, in the size of markets, in military capacity or in the control of institutions. Today, these factors remain relevant, but they are no longer sufficient to explain who influences decisions, shapes perceptions and defines priorities.

The capacity to construct meaning has become a strategic asset. Countries, companies and organisations that do not invest in their narrative autonomy risk having their reality interpreted, explained and framed by third parties. And when others tell our story, they rarely do so from our priorities, our interests or our experience.

The case study presented here demonstrates precisely this: the same event can generate profoundly different interpretations without any of the facts being altered. What changes is the choice of angle, of sources, of questions and of priorities.

It is for this reason that the discussion about narrative should not be confused with propaganda, marketing or image management. It concerns something deeper: the capacity to participate in the construction of public reality.

In an increasingly interconnected world, true sovereignty does not pass only through control of territory, resources or infrastructure. It also passes through the capacity to produce knowledge, to contextualise events and to explain to the world who we are, what we do and why it matters. Perhaps the most important question is not who tells the world to the world. Perhaps the most important question is:

Who is absent when the world is being told? Because, often, the greatest narrative imbalance does not lie in the voices that speak. It lies in the voices that never manage to be heard.

My work begins where traditional advisory ends.

This is not about "polishing" communication. It is about auditing the architecture of your narrative before others define it on your behalf.

I work with:

📊 Governments and Businesses → Geopolitical framing audits: who is telling your story? From what angle? And with what consequences for your reputation and investment?

🎤 Conferences and C-Suites → Keynotes and strategic sessions based on the 4-Quadrant Method, designed for those who want to understand the geopolitics of information without leaving the business world.

🎓 Universities and Training Programmes → Immersive masterclasses for journalists, communicators and researchers who want to move beyond conventional thinking and master the analysis of framing.

🤝 Strategic Mediation → Facilitating dialogue between advisory teams and newsrooms, to build the new contract of contextual credibility.

If you recognise any of these challenges within your organisation, let us talk for 30 minutes. No obligation. Simply reply to this email or send me a private message. An initial diagnosis may be the first step towards moving from being an object of the narrative to becoming its author.

quinta-feira, 9 de julho de 2026

A sua próxima grande crise já está em andamento. E você só vai saber quando chegar às manchetes


Author and Journalist | Founder of the 4 Quadrant Reporting Method | Strategic Due Diligence, Illicit Financial Flows & Intelligence Analysis Specialist | Journalist Former Euronews, CNN Portugal, DW and VOA


8 de julho de 2026: https://www.linkedin.com/posts/neusaesilvajornalista_a-crise-da-sua-marca-ou-governo-n%C3%A3o-come%C3%A7a-ugcPost-7480668726225252353-MTp0/?utm_source=share&utm_medium=member_desktop&rcm=ACoAAA4xi9YByOfS1tJV-OXwbzAp9SbEFPoBGUc


A crise reputacional da sua marca, empresa ou Governo começa muito antes das manchetes. Quase sempre começa no terreno. O erro mais caro raramente resulta de uma decisão errada. Ele resulta quase sempre de uma decisão tomada com base na informação proveniente da fonte "mais confortável".

Porque é que organizações com acesso a milhares de relatórios, dashboards e indicadores continuam a ser surpreendidas por crises previsíveis? Ao longo de mais de uma década de investigação internacional, encontrei a mesma resposta a este questionamento em diferentes países, setores e contextos políticos.

Isso acontece porque as organizações, governos e empresas preferem escutar quem está dentro do sistema. Raramente escutam quem vive as consequências desse sistema, e muito menos tomam decisões baseadas na voz de quem não pertence ao sistema, mas que é, inevitavelmente, quem sente o impacto das referidas decisões.


É precisamente nesse espaço que nasce o risco invisível, e onde o meu trabalho encaixa. Depois de analisar dezenas de investigações internacionais, identifiquei um padrão comum. A reputação começa com uma narrativa oficial. A realidade manifesta-se através de pequenos sinais ignorados. Quando estes sinais chegam aos média internacionais, a crise já deixou de poder ser evitada.

Os três casos reais e anónimos mostram um padrão que se repete em diferentes geografias e setores, envolvendo empresas, marcas, governos, ONG e outras organizações.

Recuperei casos reais que exemplificam exatamente o que descrevi no início. Omiti dados que possam identificar as marcas, os governos ou os países, mas todos os casos partilham a mesma anatomia da crise. Podemos resumi-los em três padrões distintos: começam com a narrativa oficial que alimenta a reputação; segue-se o sussurro no terreno, vindo da comunidade local; e, por fim surge a crise reputacional, com impacto na sustentabilidade da marca.
1. O "Milagre Financeiro" vs. A Miragem Contabilística

Narrativa oficial: Resultados financeiros extraordinários. Lucros recorde. Inovação. Confiança absoluta dos mercados. A empresa tornou-se um exemplo mundial de excelência empresarial.

O que dizia o terreno: Funcionários, analistas independentes e alguns jornalistas alertavam para práticas contabilísticas opacas, empresas-veículo e dívidas escondidas. Quase ninguém quis ouvir.

O desfecho: Quando a verdade veio ao de cima, a empresa colapsou, destruiu milhares de milhões em valor e alterou para sempre a forma como o mundo olha para auditorias e governação corporativa.
2. O "Fundo para o Desenvolvimento Nacional" vs. O Tesouro Saqueado

Narrativa oficial: Um fundo soberano criado para financiar infraestruturas, atrair investimento e acelerar o desenvolvimento económico.

O que dizia o terreno: A população observava um enriquecimento incompatível com os rendimentos oficiais. Circulavam relatos persistentes sobre património de luxo, contas no estrangeiro e utilização privada de recursos públicos. Durante anos, esses relatos foram tratados como rumores.

O desfecho: As investigações internacionais confirmaram desvios de milhares de milhões de dólares. O país entrou numa profunda crise institucional. A confiança internacional desapareceu.
3. "Estamos Todos no Mesmo Barco" vs. A Hipocrisia do Poder

Narrativa oficial: Os líderes apelavam ao sacrifício coletivo. As regras aplicavam-se a todos.

O que dizia o terreno: Funcionários e cidadãos relatavam reuniões privadas, festas e eventos reservados à elite política durante o período em que a população estava sujeita às restrições mais severas.

O desfecho: As imagens confirmaram aquilo que durante meses parecia apenas um rumor. A crise não começou quando as fotografias foram publicadas. Começou quando os primeiros relatos deixaram de ser levados a sério.
Dar credibilidade às fontes certas não é um detalhe metodológico. É a linha que separa a gestão de risco da gestão de crise.

Os três casos pertencem a contextos completamente diferentes. No entanto, todos revelam exatamente o mesmo erro: a informação crítica existia. A decisão falhou porque ninguém atribuiu credibilidade às fontes certas. É precisamente esta constatação que explica a evolução do meu trabalho nos últimos anos.

Para além da investigação jornalística, passei a aplicar a mesma metodologia em projetos de inteligência estratégica destinados a organizações que precisam de compreender riscos antes de estes se transformarem em crises.

Hoje apoio empresas, organizações internacionais, investidores e fundações através de estudos de mercado, análise setorial, avaliação de impacto, inteligência competitiva, mapeamento de stakeholders e análise de risco reputacional. Esta abordagem baseia-se na mesma metodologia de investigação que sustentou trabalhos posteriormente utilizados por organizações internacionais, centros de investigação e universidades.

A metodologia apresentada neste artigo já serviu de base investigações minhas, que hoje são utilizadas por centros europeus de investigação, universidades e organizações internacionais. Veja a seguir alguns exemplos da utilização de uma das minhas investigações intitulada "Why Africa Bleeds Diamond Revenues" por entidades europeias e até por instituições no Japão.

IPIS: https://ipisresearch.be/wp-content/uploads/2025/04/20250415_IPIS_diamonds-in-the-DRC_a-sector-struggling-to-shine-again.pdf

Instituto da Nova Europa: https://ine.org.pl/surowce-mineralne-klatwa-afryki/

Universidade da Silésia: https://www.bip.us.edu.pl/sites/default/files/2024-02/Prze%C5%82ucka_Patrycja_rozprawa_doktorska.pdf

Porque para mim, a verdadeira vantagem competitiva deixou de estar em quem possui mais informação. Está em quem consegue distinguir o ruído dos sinais que anunciam a próxima crise.

A sua organização enfrenta decisões estratégicas complexas?

Posso apoiar a sua equipe através de:

Estudos de mercado e análise setorial;

Avaliação de impacto de ações, produtos e serviços;

Inteligência competitiva;

Mapeamento de stakeholders;

Due diligence estratégica;

Estudos de comunicação e reputação;

Relatórios executivos para apoio à decisão.

Se este tema fizer sentido para a sua organização, responda diretamente a esta newsletter ou pelo email: info@neusaesilvajornalista.com

Sites: https://lnkd.in/e2xrreDH

https://www.journalismfund.eu/journalists/neusa-e-silva

https://www.neusaesilvajornalista.com/oficinapratica

segunda-feira, 6 de julho de 2026

A Oficina Prática Online de Jornalismo Internacional estabeleceu uma parceria editorial em inglês e português com o jornal internacional Mais Afrika.



A Oficina Prática Online de Jornalismo Internacional estabeleceu uma parceria com o jornal internacional Mais Afrika, um jornal dedicado à cobertura da atualidade mundial com especial enfoque em África. 

A parceria integra a nova edição do Webinar de Jornalismo Internacional agendada para 25 de julho de 2026, e permitirá aos participantes publicarem uma reportagem colaborativa regional ou internacional. 

Após o webinar os participantes serão distribuídos por equipas editoriais e beneficiarão de 15 dias de mentoria editorial durante os quais contarão com o acompanhamento de Neusa e Silva na definição da pauta, na identificação de fontes, organização da investigação, estruturação da narrativa e na revisão dos textos.

No final deste processo as reportagens que cumprirem os critérios editoriais definidos pela Oficina Prática Online de Jornalismo Internacional e pelo Jornal Mais Afrika poderão ser publicadas no jornal em português e inglês, permitindo aos autores reforçar o seu portefólio internacional com trabalhos divulgados em uma plataforma com alcance internacional.

Além da publicação no Mais Afrika, as reportagens selecionadas poderão integrar o Blogue Neusa e Silva, aNewsletter "Do Local ao Global" publicada em português e inglês para um público global e diferenciado. 

Esta iniciativa reforça o objetivo da Oficina que se rege pelo lema “Aprenda na Prática. O Webinar é dirigido a jornalistas, estudantes, profissionais da comunicação institucional, investigadores, docentes e outros especialistas da CPLP que pretendem produzir conteúdos com relevância internacional.

O Webinar de Jornalismo Internacional realiza-se online, através da plataforma Google Mee e reúne participantes provenientes de todos países da CPLP. 

O link para inscrições ainda está disponível através do grupo oficial do WhatsApp: https://lnkd.in/eicEnwjd da Oficina

Sobre o Jornal Internacional Mais Afrika

More Afrika é uma publicação digital em português que busca examinar os mercados africanos com o objetivo de trazer ao espaço de língua portuguesa oportunidades de negócios, investimento e o que é melhor feito na África, com forte ênfase nos mercados de língua inglesa e francófona.

Mais Afrika é destinado a investidores estrangeiros com interesse no continente e empreendedores africanos. A África é considerada por muitos como a última fronteira de investimento. À medida que os investidores estrangeiros se concentram no continente, os empreendedores africanos estão começando a procurar e analisar possibilidades além de seus mercados domésticos.

Sobre Oficina Prática e Online de Jornalismo Internacional

A Oficina Prática Online de Jornalismo Internacional é uma iniciativa de formação criada pela correspondente internacional Neusa e Silva, destinada a jornalistas, estudantes, investigadores, docentes, profissionais de comunicação institucional e criadores de conteúdos que pretendem produzir reportagens com relevância internacional.

A formação distingue-se pela sua abordagem prática e colaborativa. Os participantes aprendem um método próprio de trabalho, estruturado em quatro quadrantes, que permite identificar pautas com potencial internacional, mapear fontes credíveis, construir narrativas de interesse global e desenvolver reportagens com qualidade editorial.

Mais do que uma ação de formação, a Oficina Prática Online de Jornalismo Internacional aproxima os participantes da realidade das redações internacionais, transformando conhecimento em experiência prática e publicação editorial.

Email: info@neusaesilvajornalista.com

quarta-feira, 1 de julho de 2026

Quem definiu as métricas? E que realidades tiveram em conta quando as criaram?


Quem definiu as métricas? E que realidade considerou quando as criou?

Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) representam um compromisso global com um desenvolvimento mais justo, inclusivo e sustentável. Para acompanhar esse compromisso foram criados indicadores que permitem medir o progresso das organizações e dos países.
Mas medir não é um exercício neutro.
Toda a métrica resulta de escolhas: o que medir, como medir e o que fica de fora.
Penso que ao avaliar sociedades profundamente diferentes através de indicadores que não refletem a diversidade histórica e ancestral, social, económica e cultural dos contextos onde são aplicados tem como consequência um grave retrocesso...
Esta reflexão é particularmente importante em áreas como:
liberdade de imprensa, governação, inclusão, acesso à informação, desenvolvimento institucional e representação mediática.
Tomemos como exemplo a liberdade de imprensa.
Será suficiente medir apenas o número de jornalistas presos ou a existência de legislação sobre liberdade de expressão?
Ou devemos também considerar fatores como a inclusão e diversidade na cadeia de comandos da mídia global, a sustentabilidade económica das redações, a concentração da propriedade dos meios de comunicação, a dependência de financiamento externo ou as condições de segurança para o exercício da profissão?
A mesma questão coloca-se no domínio ambiental.
Há décadas que se fala da responsabilidade coletiva perante as alterações climáticas.
No entanto, os impactos do aquecimento global, das secas, das inundações, dos fenómenos El Niño ou dos eventos sísmicos não se distribuem de forma igual.
Diversos estudos mostram que muitos países com menores emissões históricas de gases com efeito de estufa enfrentam consequências particularmente severas das alterações climáticas, devido à sua maior vulnerabilidade e menor capacidade de adaptação.
Isto levanta outra questão.
Será suficiente avaliar uma empresa apenas pelas suas políticas ambientais internas?
Ou deveremos também medir o impacto que a sua cadeia de produção gera nos diferentes países onde opera?
A sustentabilidade não termina na sede da organização.
Começa precisamente nos locais onde se extrai recursos, produz-se, emprega-se pessoas e influencia comunidades locais.
Talvez o verdadeiro desafio da próxima década não seja apenas cumprir os ODS 2030 ou 50.
Talvez a capacidade de garantir que os indicadores utilizados conseguem refletir de forma mais ampla as diferenças entre territórios e sua diversidade, os impactos ao longo das cadeias globais de produção e as responsabilidades partilhadas entre Norte e Sul Global.
Porque aquilo que escolhemos medir acaba, inevitavelmente, por influenciar aquilo que escolhemos valorizar.
E aquilo que não medimos... corre o risco de continuar invisível.

quinta-feira, 25 de junho de 2026

Como publiquei reportagens em mais de quatro continentes sem sair de casa?


Webinar Online : JORNALISMO INTERNACIONAL
Transforme pautas locais em reportagens com alcance global! 25 de Julho | 14h (PT) | 6h
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Durante muito tempo, ouvi a mesma ideia repetida por jornalistas e estudantes: para construir uma carreira internacional era preciso viver em Londres, Paris, Nova Iorque ou Washington.

A minha experiência mostrou-me o contrário.

Grande parte da minha carreira internacional foi construída a partir de Angola e, mais tarde, de Portugal. Trabalhei com redações internacionais, produzi reportagens para a Euronews, Deutsche Welle, CNN Portugal e Voice of America e vi o meu trabalho ser publicado e traduzido em mais de seis idiomas, chegando a audiências em África, Europa, América e Ásia.

Nada disso aconteceu por acaso.

Também não aconteceu porque conhecia as pessoas certas.

Aconteceu porque percebi uma mudança fundamental no jornalismo internacional: as redações já não procuram apenas correspondentes em grandes capitais. Procuram profissionais capazes de explicar por que razão uma história local importa para o mundo. Confira aqui os meus resultados: https://lnkd.in/e2xrreDH

 A história nunca é apenas local

Uma mina de diamantes em Angola pode levantar questões sobre cadeias globais de abastecimento.

Uma eleição pode influenciar relações diplomáticas e investimentos internacionais.

Uma seca pode revelar os impactos das alterações climáticas, da segurança alimentar e da geopolítica.

O desafio não está apenas em encontrar uma boa história. Está em identificar as ligações que fazem essa história ultrapassar fronteiras.

Foi precisamente para responder a esse desafio que desenvolvi o Método de Reportagem em 4 Quadrantes.

O que mudou a minha forma de trabalhar

Ao longo dos anos, deixei de perguntar apenas:

"O que aconteceu?"

Passei a perguntar também:

  • Quem mais é afetado por esta história?
  • Que interesses internacionais estão envolvidos?
  • Que dados podem contextualizar o problema?
  • Como esta realidade se relaciona com outras regiões do mundo?

Essas perguntas transformaram completamente a forma como investigava, entrevistava fontes e apresentava propostas editoriais.

Trabalhar internacionalmente não significa viajar constantemente

Muitas das entrevistas que realizei foram feitas à distância.

Especialistas em universidades.

Investigadores.

Responsáveis de organizações internacionais.

Analistas.

Fontes governamentais.

Hoje, as ferramentas digitais permitem construir reportagens globais sem sair do nosso país. O verdadeiro diferencial não é a localização geográfica; é a capacidade de conectar informação dispersa, verificar fontes e construir uma narrativa com relevância internacional.

O erro que vejo com mais frequência

Muitos jornalistas acreditam que precisam de contactos privilegiados para publicar em meios internacionais.

Na maioria dos casos, o que falta não é acesso.

É método.

É saber identificar o ângulo certo, estruturar uma investigação, encontrar fontes credíveis e apresentar uma proposta editorial que responda às necessidades de uma redação internacional.

Essas competências podem ser aprendidas.

O conhecimento deve ser partilhado

Ao longo dos últimos anos, tive o privilégio de orientar jornalistas de vários países da CPLP. Muitos tinham talento e histórias relevantes, mas faltava-lhes um processo claro para transformar esse potencial em trabalho com impacto internacional.

Foi essa experiência que me levou a sistematizar o método que utilizo e a criar formações práticas baseadas em casos reais.

Não se trata de prometer carreiras internacionais rápidas. Trata-se de desenvolver competências que aumentam a probabilidade de produzir reportagens relevantes, rigorosas e com potencial de alcançar diferentes públicos.

Um convite

No próximo dia 25 de julho, vou realizar um webinar online onde explicarei, passo a passo, o processo que utilizei para construir uma carreira internacional em jornalismo e comunicação institucional sem precisar de viver em Londres, Paris ou Nova Iorque.

Vou partilhar:

  • Como identificar histórias com potencial internacional.
  • Método de Reportagem em 4 Quadrantes.
  • Como encontrar e validar fontes internacionais.
  • Ferramentas digitais de investigação e verificação.
  • Casos reais das minhas reportagens publicadas internacionalmente.
  • Estratégias para fortalecer o seu portefólio e aumentar a sua visibilidade.

Se é jornalista, investigador, estudante de comunicação ou profissional interessado em produzir conteúdos com alcance global, este webinar foi pensado para si.

As vagas para garantir acompanhamento individual são limitadas. Para receber o formulário de inscrição e as instruções de pagamento, entre para o grupo oficial do WhatsApp:

domingo, 23 de março de 2025

Crise no jornalismo global? Ou um ponto de ruptura e DISRUPÇÃO

                           

Jornalismo Global – Sobreviveremos à Era da Desinformação?

A relação entre poder político e imprensa atingiu agora um dos momentos mais conturbados da história. O fenómeno não começou agora, mas rapidamente está a tornar-se mais evidente que a desconfiança criada propositalmente na mídia tradicional, não é apenas um sintoma da polarização acentuada, mas sim uma ferramenta de manipulação das massas.

O uso sistemático de "fake news" para promover a desinformação no mundo e assim moldar e definir políticas públicas, não só descredibiliza os meios de comunicação tradicionais como também está a reforçar a ideia de que a verdade pode ser moldada de acordo com interesses políticos e ideológicos. Um cenário que leva a uma crise dupla e sem precedentes, cujos efeitos ainda se fazem sentir no jornalismo global com um impacto mais abrangente do que estamos a ver, com o encerramento de órgãos vitais para o funcionamento da democracia.

Vemos com tristeza a erosão da confiança pública, quando um número crescente de pessoas passou a questionar a imparcialidade da imprensa tornando-se mais vulnerável à desinformação e uma crescente polarização. Assistimos quase que de mãos atadas o consumo de notícias passar a ser um exercício de confirmação de crenças, em vez de uma busca genuína pela verdade. Em vez de expandir perspectivas, a informação tornou-se um campo de batalha ideológico.

Perante esta nova realidade, é impossível para muitos de nós ignorar o impacto profundo na forma como o jornalismo é produzido e consumido. Mas o que realmente se perde? Ainda é possível espremer estes limões?

Os desafios que ameaçam o jornalismo

Declínio do jornalismo tradicional: Nos últimos anos, muitas redações reduziram drasticamente as suas operações, levando à diminuição do jornalismo de investigação. O enfraquecimento destes espaços abriu caminho à disseminação de informações não verificadas e sensacionalistas.

Impacto na democracia: Sem um jornalismo forte e independente, denúncias de corrupção, abusos de poder e violações de direitos humanos correm o risco de não serem expostas ou sequer investigadas.

Sobrecarga e ameaças aos jornalistas: O ambiente tornou-se mais hostil para os profissionais da área, que enfrentam não apenas pressão psicológica, mas também ataques diretos, assédio online e tentativas de censura.
Para onde caminhamos? As mudanças inesperadas e oportunidades. "A ascensão do freelancer"
Claramente observamos a ascensão do jornalismo independente, com o aumento de plataformas alternativas para solicitar serviços com jornalistas locais.

Mas ainda assim, o que poderá garantir a sobrevivência do jornalismo no futuro?


Futuro do Jornalismo: 5 Caminhos para a Reinvenção

1. Transparência como pilar fundamental A credibilidade da pode ser reconstruída através de práticas mais abertas. Mostrar ao público como uma reportagem é feita, divulgar fontes e contextualizar processos editoriais são medidas essenciais para recuperar a confiança perdida.

2. Modelos de financiamento sustentáveis A dependência de publicidade e de grandes grupos enfraquece a independência jornalística. Alternativas como assinaturas, financiamento coletivo e eventos exclusivos surgem como soluções viáveis para garantir a continuidade do trabalho de investigação.

3. Combate à desinformação A criação de equipas dedicadas à verificação de factos e a expansão de ferramentas para identificar notícias falsas são fundamentais para travar o avanço da desinformação e proteger a integridade da informação.

4. Jornalismo de soluções Focar apenas nos problemas gera desmotivação e desconfiança. Destacar respostas eficazes para desafios sociais e políticos pode aproximar o público e estimular um envolvimento mais construtivo.

5. Educação para a literacia mediática A formação de um público crítico e capaz de distinguir factos de opinião deve ser uma prioridade. Parcerias entre jornalistas e educadores podem ajudar a desenvolver uma cultura de consumo consciente da informação.
O Que Esperar do Futuro?

A crise desencadeada, e acentuada com o encerramento de grandes órgãos como a VOA, por exemplo, deixa marcas profundas, mas também impulsiona mudanças estruturais. O futuro do jornalismo será moldado por aqueles que souberem:

Utilizar a tecnologia sem comprometer a ética, incorporando ferramentas de análise de dados e inteligência artificial sem abdicar do rigor na apuração.

Fortalecer a relação com o público em especial com as comunidades, criando canais diretos de comunicação e evitando a dependência exclusiva dos algoritmos.

Defender modelos de financiamento transparentes e sustentáveis, reduzindo a vulnerabilidade da imprensa a pressões externas.

Se o jornalismo tradicional foi abalado, isso não significa que está condenado ao desaparecimento. Pelo contrário: estamos perante um momento de transformação, onde a necessidade de informação credível nunca foi tão urgente.

O Papel do Público na Construção do Jornalismo do Futuro

A informação de qualidade só sobreviverá se houver um público disposto a apoiá-la. A pergunta que fica é: como cada um de nós pode contribuir para um jornalismo mais forte, ético e relevante?

"O jornalismo não morreu "está a reinventar-se". Apoia a informação de qualidade? Partilhe este artigo e incentive o pensamento crítico. #JornalismoÉResistência"

Neusa e Silva

Futuro do Jornalismo? A confiança do público como nova moeda de poder e influência

Um estudo analítico sobre a transferência do poder inerente ao serviço informativo Por Neusa e Silva Leia. Depois aplique esta análise ao se...